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Patriarca Kirill recorda em mensagem os 100 anos do Concílio de Moscou

Patriarca Kirill recorda em mensagem os 100 anos do Concílio de Moscou

Uma “etapa extremamente importante na história da ortodoxia russa”, cujo significado, todavia, “não foi ainda acolhido plenamente e apreciado pelo

Foto da Catedral

Uma “etapa extremamente importante na história da ortodoxia russa”, cujo significado, todavia, “não foi ainda acolhido plenamente e apreciado pelo povo eclesial”.

É o que escreve o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, na mensagem enviada ao clero e aos fieis por ocasião do 100º aniversário – celebrado em 28 de agosto – do início dos trabalhos do Concílio local que teve lugar entre 1917 e 1918.

“Estou profundamente convencido de que o patrimônio necessita de um estudo sério e que um grande número de ideias expressas na época são úteis hoje”, afirma o Primaz da Igreja Ortodoxa russa, recordando que, atualmente, estão sendo realizados enormes esforços no sentido de difundir os princípios do Concílio, em particular a primeira edição fundamental e científica dos documentos, indispensável para preservar a memória daquele acontecimento.

O Concílio de Moscou teve um longo período de preparação durante o qual foram recolhidas uma série de informações ao mesmo tempo em que foram consultados arquipastores, teólogos, canonistas e historiadores a respeito de questões fundamentais da vida eclesial.

Alguns anos antes do Concílio foi criado um organismo especial, chamado Comissão pré-conciliar, cujo objetivo era reunir os dados necessários para a correta organização das discussões sobre temas de atualidade.

O legado espiritual daquele organismo é a Comissão Inter-conciliar, que funciona até hoje e conta com a participação também de sacerdotes e leigos.

Os documentos por ela preparados são enviados, para um ulterior exame, ao Sínodo da assembleia dos Bispos, “triunfo inegável – escreve Kirill na mensagem – do espírito de conciliaridade na vida da ortodoxia russa contemporânea”.

Diversas causas impediram a recepção dos documentos do Concílio de 1917-1918. “O obstáculo mais evidente – escreve Kirill – foi o desencadear da guerra civil que se seguiu aos acontecimentos revolucionários e as perseguições sem precedentes contra a Igreja e os fieis. Hoje exercemos o nosso ministério em condições históricas totalmente diferentes. Hoje podemos refletir, na oração, sobre o balanço dos atos conciliares, responder à pergunta sobre o porque certas decisões, apesar dos múltiplos obstáculos, foram aplicadas e encontraram lugar na vida da Igreja, enquanto outras – conclui o Patriarca – não foram adotadas pela consciência eclesial”.

Àquele Concílio, celebrado em Moscou com a participação de todos os componentes eclesiais, a Comunidade ecumênica de Bose dedicou o XI Simpósio Ecumênico Internacional de espiritualidade ortodoxa (seção russa, de 18 a 20 de setembro de 2003.

Foi “um dos mais importante eventos da Igreja Russa no século XX”, afirmou na época o Patriarca de Moscou Alexej II, na mensagem enviada aos participantes.

Verdadeiro “divisor de águas” entre a queda do czarismo e a época das perseguições – lê-se nas atas do encontro – o Concílio de Moscou representa um momento de síntese da tradição, uma fonte de inspiração para as Igrejas na busca de novos caminhos de diálogo e de respostas comuns aos desafios do mundo contemporâneo”.

Um rico debate, ainda incompleto segundo o Patriarca Kirill, útil para uma reflexão teológica a mais vozes sobre a conciliaridade que pode ser vivida hoje nas Igrejas.

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